Um Brinde à Poesia

Um Brinde à Poesia

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um Brinde à Poesia Nit - Fevereiro de 2014



O tempo voa para quem sonha. Pode parecer só uma expressão poética, mas reflete bem a história do Um Brinde à Poesia, lançado no dia 11 de junho de 1999, confirmando sua importância como evento divulgador e estimulador da poesia falada no cenário cultural de Niterói. A iniciativa foi da fotógrafa e jornalista Lucília Dowslley. 

Com edições mensais Lucília faz a abertura apresentando poesias próprias com projeção de fotos e presta homenagem a nomes consagrados da literatura e da música. Logo no início acontece o Momento D'versos, quando o público é convidado a participar apresentando um poema. Três poetas e um músico convidado mostram seus trabalhos autorais. Há o momento do brinde em que o público é servido com vinho ou água e compõem uma poesia coletivamente celebrando a vida.O evento termina com foto de todos no palco, coquetel e sorteio de brindes dos apoios.

O objetivo deste Movimento é divulgar a obra de nomes consagrados seja na literatura ou na música, proporcionar espaço para novos autores e compositores, estimular e encorajar aqueles que nunca se apresentaram num sarau ou mesmo falaram num microfone em público.

Em quase quinze anos muitas histórias foram traçadas. A gratificação é imensa.

Participe! Vamos celebrar a paz e a liberdade de ser.






Lucília Dowslley, fotojornalista e atriz, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro. Lançou em 11 de junho de 1999, o Um Brinde à Poesia Movimento pela Paz e Liberdade de Ser, inspirado em sonho, que mensalmente promove no MAC Niterói e no Museu da República. Se apresentou no Paraguai, Nova York e Nova Jersey. Publicou dois livros: Um Brinde à Poesia (2004) e Carmim (2012). Ministra Oficinas de Interpretação e Criação de Textos e coordena o Clube de Leitura para crianças. Viver poesia, falar a poesia, ser poesia. Assim têm sido os seus dias, Militante das artes a mais de 20 anos, acredita na arte como instrumento de autoconhecimento e de conscientização para transformação da humanidade numa vida de qualidade, celebração e paz. Seja no teatro, na fotografia, na música ou literatura, este é o seu grande desafio, o seu objetivo maior e a sua luz.

TEU NOME 

E se príncipe eu for
Escondido neste frágil corpo
Tão pequenino
Causando em ti apenas
Um leve apego singelo
Chorarias a noite toda
Sentindo ter perdido
Para sempre do amor o elo
Ocultarás teu verdadeiro sentir
Enclausurarás-te na torre da solidão
E ainda que eu te traga
Doces melodias compostas
Alados seres encantados
Magia e formosa fantasia
Sonhos, carisma, poesia
Ainda assim tua rispidez não retiraria
Porque o mais sentir
Pelo externo do teu querer
Ego humano escaldado
Por paixões elevada da ilusão
Oh! doce face serena criança
Não queres crescer?
Sou em ti teu próprio príncipe princesa
Jardim de realezas
A tudo posso oferecer
Não sabes ou finges?
Pois sei que já sentistes
No teu resistente pulsar
O sol em junção com a lua
Derramar sinais gotejantes estrelas
No céu desta noite
E tão alto a ponte
De anjos em missão visam te confortar
Luminares de trilhas sombrias
Sopram no ouvido
Tua térmica melodia
Olhas no vértice prateado
Estarão além sonhos
Vasto índigo manto
Cobrindo todo o pranto
Em mar espelhado se transformando
Cavalga branco robusto corcel
Renasceste principado
Desprezo de culpas
Avarezas turbilhões
Corrosivos nocivos
Então não sabes ainda
Na alma o teu nome?
Vais para fora agora
Não contentes mais nada
Entregas nas linhas
Pisantes do destino
Caminhas na Terra
Espalhas ao mundo
Luz em sonhos apaixonados
Delírios de um vivente
Agora, sem mais adiar digo-te
Assumas: teu nome é POETA.

ARCOS 

Um tipo de azul cristal
Florindo floral astral
Luminoso natural
Pincelado pincel
Reino redescoberto plural
Seres serenos senso
Diluindo distribuindo
Aroma visível incenso
Esvaziando espaço opaco
Denso imenso tenso
Paralelamente dormente
Lustrosa luminosamente
Vem vindo vivendo sente
Cortina escancarada
Risos rasos matutinos
Vasos veios véus nos céus
Vistos ou ao contrário
No mínimo sei que nestes
Em sonhos ainda
Que menos incandescente
Passos passantes de gigante
São teus traços nos arcos marcos

De todo ser da Terra vivente.

 PELOS CHÃOS DO PARAGUAI 

Pés azuis me guiaram pelos chãos do Paraguai
Tererê na mão saciando a sede do corpo
Palavras alimentando a fome de conhecimento da alma

Pés azuis me guiaram pelos chãos do Paraguai
Ver a realidade das ruas do Centro, do Mercado
Perceber certa semelhança com os países do Sul América
Precárias condições, crianças no trabalho, idosos sofridos
Sobreviver pra viver. Isso é viver?

Pare, pare pra reconhecer
Um pedaço de cada um em nós
Um único ser.

Pés azuis me contaram de seus sonhos, seus ideais
Semelhantes, iguais aos meus: união, liberdade, solidariedade
Paz, na prática, quanta diferença faz
No dia a dia destas crianças pedindo, fazendo o que for
Preciso, possível por uns guaranis.

Pés azuis me guiaram pelos chãos do Paraguai
Mostraram, cantaram, contaram, emocionaram
Somos todos sonhadores poetas artistas da vida.

Seja no Brasil, Paraguai, Bolívia, Argentina
México, Peru, Chile ou qualquer país Sul Americano
Central, Norte ou de outro continente, plantar a semente
Criar células deste amor para transformar a realidade social, econômica
Converter a cultura de massa, quebrar o funil modelador


E com justiça, trabalho, dignidade, alimentação, amor. 
 Vivermos em união, em paz. 
Com pés azuis pelas nuvens no céu de nossas consciências.











!Espanto
  • O que têm em comum um CD, um livro de poemas e um livro editado em Braille?
  •  Onde há uma interseção entre Ferreira GullarOscar Niemeyer , Aristóteles?


“O poema nasce do espanto, isto é, de um instante
em que o enigma sempre não explicado e oculto da existência se põe à mostra.
E, então, vemos que todas as explicações não explicam tudo.”
Ferreira  Gullar
“Na vida o que vale é o espanto.”
Oscar Niemeyer


"O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são."
Aristóteles


“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as
pessoas.  
Os livros só mudam as pessoas.” 
Mário Quintana

!Espanto é, antes de tudo, um movimento de inclusão cultural que está estruturado em duas frentes:
  • Livro de poemas com CD de Poesia Falada e Música Instrumental encartado

    O livro alia Poesia Falada, Música Instrumental, um projeto de diagramação atrativo à leitura, ilustrações… toda a sua concepção é voltada para uma experiência sensorial e cotidiana. A proposta é estabelecer com o leitor uma relação de identidade e surpresa.
    Um encantamento.
    Um espanto.
  • Edição independente em braille oferecida para doação a instituições especializadas.


 Flávia Côrtes é conhecida nos meios literários que frequenta pelo estilo muito próprio de sua poesia. Seus versos surpreendem porque conciliam linguagem cotidiana com lirismo latente e mostram que a poesia está muito longe de ser algo restrito a estudiosos e amantes da literatura.


"Saber de mim é fácil. Nasci com olho que escancara e sorriso que denuncia. 
Se não fosse suficiente, ainda tem a minha palavra…

que sai me esparramando em papel público com toda sem-cerimônia. 

Quem lê meu verso faz incursão dentro de mim." (Flávia Côrtes)



Meu verso me conta
Sim

Meu verso me conta

Cada palavra que eu já escrevi me diz

Cada linha escorrida me fala

Verdade

Quem me lê me vê

Sabe do que pensei, quis, achei

Ou senti 

Descobre do que sonhei, criei, lembrei

Ou fiz 

Mas, olha

Cuidado

Minha palavra me brinca

Faz esconde-esconde de mim

Se você quer mesmo saber

De tudo isso

O que eu já fiz

O que eu já quis

O que eu já vivi

Tira os olhos do papel
Olha pra mim
Me respira

Me toca

E me aprende

Quem sabe assim eu te conto

Quem sabe assim

Eu me mostro

Dois em Cena



Não, eu não me preocupo que seja para sempre

se tiver mesmo que colocar

advérbio

nesse verbo com som de horizonte

que seja de intensidade

não de tempo

Prefiro
que me queira
todo dia
de novo
e novamente
da mesma forma
ou diferente
mas que não me queira
mais ou menos
meio por acaso
meio sem querer
que me queira muito
e que me queira bem

Não, eu não procuro um amor de cinema
Não acho que amores combinem com roteiros
Mas tampouco me encantam
essas modernas paixões em
minissérie

Prefiro que me faça
encantadora
e encantada
que dispense
palco e ribalta
em cena
só querer
ao vivo
em arena
plena
de nós dois

Meu Anjo
Meu anjo, minha amiga, minha querida

Soprou em mim muito mais que vida

E, até hoje,
É teu conselho, teu colo, teu beijo
que busco sempre que caio

E teu sorriso, teu olho, teu beijo
ue busco sempre que venço



Porque sei bem o que sempre vai me perguntar

O que sempre vai me dizer



Mas ainda assim preciso ouvir de ti

A pergunta que é resposta

A tudo que te pergunto



“Filha, está feliz? “



















INFORMAÇÕES:
(0xx21 99111-4960)





Rodrigo Santos tem 37 anos, é pai de Miguel, marido de Maria Isabel, flamenguista, corredor de rua e poeta. Juntamente com o poeta Romulo Narducci, realiza há dez anos o evento "Uma Noite na Taverna" em São Gonçalo.


Necessidades Especiais

Ainda não encerrei a busca
- mesmo não sabendo o objetivo –
Mas sei exatamente do que não preciso.

Não preciso de visibilidade,
Reconhecimento ou prestígio.
O pouco que tenho já me basta,
E não vou usar minha situação social
como refém de porra nenhuma,
E não nasci para puxar saco de ninguém.

Não preciso mais publicar,
A edição de alguns garranchos
Não me trouxe nada além
De tapinhas nas costas e elogios falsos.
Nunca escrevi para ninguém,
Se for lido, ótimo, parabéns para quem leu.
Se não, foda-se, não importa mais.

Não preciso provar nada para ninguém,
Não preciso ganhar mais dinheiro
- dinheiro é só papel pintado –
Não preciso ser mais amado que já sou,
Não preciso ser capa do segundo caderno,
Aparecer no jornal local
Ou liderar meu povo em busca de Canaã.

Eu preciso é de amigos
Que venham à minha casa
E me tragam cerveja.


 Atalaia dos Tempos

Nesses tempos tão duros
em que interesses obscuros
suplantam liberdades individuais
Mais do que nunca é preciso
mãos, poesia e riso,
porque o riso nunca é demais...

Então façamos assim,
Se não por você, por mim:
Salpiquemos de estrelas nosso chão...
Vamos furar o zinco, abrir janelas,
Plantar flores novas em nossa cela,
Liberdade é acreditar na opção.

Esqueça esses que estão aí,
Muitos outros piores eu vi
E passaram, como tudo o que é nefasto...
Temos que investir nos que virão,
Cultivar, como orquídeas, a nova geração,
Porque o ódio é limitado e o amor, vasto.

E enquanto incendeiam o cais
Navego ao largo, afrouxo os estais,
E iço bandeiras no escuro.
O próprio tempo ainda vai amolecer
A argila que é o tempo – você vai ver!
E moldaremos mais uma vez o futuro.


Revolução é para amadores

Em tempos de guerra civil,
qualquer barracão é escola,
qualquer lata é comida,
qualquer debate é resistência.

Não se engane pelas aparências,
pelas falsas promessas de felicidade
e o mundo de ki-suco em que vive:
é uma guerra civil, e estamos perdendo.

Resistir é inútil, porém necessário
pois precisamos mostrar ao futuro
que não nos entregamos sem luta,
que não nos calamos perante à força.

O mundo todo é um gueto,
e minha cidade é um beco
onde sofro desde cedo
as intempéries de ser eu.

Somos responsáveis pela arquitetura
Do amanhã, da manhã seguinte,
Das estradas que conduzirão a prole
Para algo que está lá e ainda não existe.

A derrota é programada, como a obsolescência
De todos os gadgets e corações de alumínio;
A Resistência se apoia na PALAVRA,
Por si só, representação e coisa representada.

Somos apenas ração do Tempo.
Deglutidos, mastigados e cuspidos,
Daremos luz ao mundo novo,
Rasgando os lábios de quem nunca ousou.

O mundo todo é um beco
- reconheço, quero mais do que mereço –
E a saída é por cima, vertical,

Então chegou a hora da cobra criar asas.


Poetas Mortos LTDA

Gonçalves Dias
Morreu sem ver novamente
A terra das palmeiras.
Num naufrágio na costa do Maranhão
Sucumbiu sob os auspícios de Iemanjá
- Debaixo d´água dá pra ouvir um sabiá?

Álvares de Azevedo
Morreu donzelo em Itaboraí
Após ser lançado ao solo
Por um cavalo que não gostava de poesia.
Tanto spleen, charutos e recato
Pra cair de bunda no chão e se foder.

Florbela Espanca
Morreu no dia de seu aniversário
Tendo sucesso apenas
Em sua terceira tentativa de suicídio.
Não resistiu à morte de seu irmão,
Grande amor de sua vida.

Rimbaud morreu de câncer,
Pessoa de pancreatite,
Dylan Thomas morreu após 18 doses de uísque.
Tolstói congelado na gare de Astapovo,
Augusto dos Anjos de pneumonia,
Ana Cristina se jogou do oitavo andar.

Eu, tabagista e beberrão,
Gozando de hipertensão desde tenra idade,
Tenho sofrido palpitações e bactérias,
E já dei entrada nos papéis
Nessa empresa falida e sem pro-labore
Chamada Poetas Mortos LTDA.


Amanhã é outro dia

68 caras preocupadas
Engarrafadas na Contorno
Sem identidade,
No anonimato do coletivo.

Trabalhar no que não gosta,
Trepar duas vezes na semana,
Cerveja barata no boteco da esquina,
Fraldinha da promoção no sábado.

“Viu o que aconteceu na novela?”
Não vi, não quero ver,
E tenho raiva de quem se prostra
À força do fácil e do inútil.

“É velho mas tá pago!”
Quebrou na subida da ponte
Atrasando mais ainda
- como se alguém tivesse pressa.

Ninguém vai porque quer,
O berrante toca no celular às 5 e meia,
E a manada segue para o pasto
Postergando o matadouro, só por hoje.

“Não aceitamos este ticket-refeição”,
Mais um dia de italiano e guaravita,
Descendo embolado na garganta,
Gosto de humilhação e catchup doce.

Chuva no final da tarde
- todo dia essa merda agora?
Pontos cheios, guarda-chuva debaixo da marquise,
Quase sexo não-intencional com cheiro de guardado.

“Trouxe o remédio?”
Não, esqueci,
Esqueci como se sorri,
Tenho que esquecer o quanto sofro.

Mas tá tudo bem,
Eu passei no shopping
E comprei novas ilusões.
Amanhã é outro dia.


http://manifestotavernista.blogspot.com
https://www.facebook.com/bardorodrigosantos




Ana Paula Soeiro, Turismóloga, aproveita sua formação para promover e divulgar eventos e projetos culturais, ultimamente, aposta no "Cabaré do Malamdro", um resgate da boemia e malandragem carioca. Participa de saraus de música e poesia, entre eles do "Corujão da Poesia" e "Um Brinde à Poesia", além de coordenar o "Sarau no Quintal". Colabora na revista "Arte de Fato" com matérias e fotografias.




Julio César é natural de Florianópolis, Santa Catarina.
Um ano após o pai falecer, aos 19 anos, tomou a decisão de abandonar todas as atividades, a casa, conforto e proteção, para morar no Rio de Janeiro e tentar a carreira artística.
Não foi fácil no início porque não conhecia ninguém. Morou em repúblicas e em diversas regiões até fazer amigos maravilhosos na cidade. Fez trabalhos como modelo fotográfico, atuou em curtas metragens, comerciais, dublagens e fez participação em uma novela.
No Rio de Janeiro também atuou na noite, e em vários Sarais. O trabalho mais importante foi em Copacabana, quando de mesa em mesa, junto a um violonista, ofereceu musicas para os clientes em troca de colaborações. O trabalho foi árduo, mas rendeu um rico aprendizado.
Em São Paulo fez trabalhos como produtor musical (Jingles de TV e trilhas para teatro) e, principalmente, trabalhou como cantor no teatro e em diversos locais da noite paulistana. São Paulo sempre foi a grande paixão do artista, lugar onde aprendeu muita coisa, fez cursos renomados e melhores trabalhos, além de grandes amigos e o que a cidade grandiosa pode oferecer.
"Sou grato aos amigos por tudo que já fizeram por mim; e grato à vida, por ter feito de meus sofrimentos um aprendizado. Não perder a esperança nos faz pessoas melhores..." Cezr

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