Um Brinde à Poesia

Um Brinde à Poesia

segunda-feira, 2 de junho de 2008

UM POUCO SOBRE NOSSA HISTÓRIA...

___Um Brinde à Poesia, surgiu no despertar de um sonho, na manhã de 10 de maio (dois dias para o meu aniversário), quando me veio à mente o nome do projeto, idéia, foto símbolo – do Anjo, data de lançamento e homenagens. No dia 11 de junho de 1999, Um Brinde, foi lançado, no Bar Academia de Niterói. Consegui apoios para a publicação de mil livretos, 20 dias antes do lançamento e produzi tudo que foi necessário. Junto com a atriz Carla Yan, apresentamos poemas de Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes e do meu projeto multimídia Flashes & Folhas, que trata da realidade social, com exposição de fotos e projeção de slides. Passamos por dificuldades, pouco público, muitas conquistas e realizações, e temos muitas histórias para contar. E tudo tem valido a pena, fazendo bom uso das palavras do poeta patrono do nosso movimento: “Tudo vale a pena / quando a alma não é pequena”. Foi uma conquista e uma comprovação, de que não importa as circunstâncias, devemos sempre acreditar em nossos sonhos e principalmente quando se fala em poesia; esta arte de público tão restrito. Mas, hoje me surpreendo e fico feliz. Um Brinde tem recebido mensalmente uma média de 80 pessoas. É a confirmação de que há público e não só isso, de que entre as mais variadas pessoas, existe dentro delas um poeta escondido, que tendo espaço e estímulo, se encoraja, tira uma folha do bolso e se apresenta. O melhor de tudo e que me gratifica é que a pessoa fica viciada em falar poesia. Eu sou uma, mas o meu caminho de abertura foi o teatro (talvez o de preparação), até criar o Um Brinde e ter esse grande privilégio de ter um evento mensal, na cidade que nasci e amo, tendo apoio da Porção Mágica, Steak House e Lidador desde a primeira edição. Por isso, e pela própria poesia em cada um de nós, temos milhões de motivos para fazer Um Brinde.Em 2000 o Um Brinde à Poesia viajou para o Paraguai, para participar do Festival Pela Paz e União dos Povos. Este é um Movimento que consiste em palestras, passeatas, apresentação de poesia, música, teatro e dança, tratando da temática sócio-econômica mundial, com representantes de vários países. Um Brinde à Poesia representou o Rio de Janeiro/Brasil. Lucília apresentou ensaio fotográfico tirado, nas ruas da Cidade De Leste retratando a realidade social, e fotos do Rio e Nova York. Além de apresentação teatral de poemas feitos para as fotos, com interpretação teatral.Lucília Dowslley é formada em jornalismo e é atriz profissional. Trabalha profissionalmente como fotógrafa. Seus principais focos são peças teatrais, shows, paisagens e a realidade social. Uma de suas exposições foi Luzes do Som, no SESC – Niterói, em maio de 2003, retratando artistas que se apresentaram no SESC. Entre eles: Frejat, Biquíni Cavadão, Paulinho Moska, Luciana Mello, Alceo Valença, Joana, entre outros.A atriz dá aulas de teatro para crianças de 3 a 10 anos, no Jardim Escola Sementinha Iluminada. Alguns de seus alunos já participaram da edição do Um Brinde, com poemas de própria autoria. Lucília participou do grupo de teatro Os Bacanas, dirigido por Márcio Trigo (diretor de Chico Anísio), para trabalhar também o humor, já que a poesia costuma ter temáticas mais densas, assim equilibra as emoções.O primeiro livro foi lançado, na Livraria Ver & Dicto, em setembro de 2004. Um Brinde à Poesia – pensamentos – foto-poesia, com 22 fotos, 60 pensamentos e 11 poemas de Lucília Dowslley. Também relançou o livro em New Jersey e em Nova York, em junho de 2005, comemorando seis anos de brindes.Em julho de 2006, a artista inaugura o Ateliê do Poeta em Itaipu, onde aconteceu apresentações do Um Brinde e exposições de fotos e pintura, além de shows musicais. Uma das convidadas foi a cantora Juliana Martins. Além das apresentações no próprio Ateliê O Movimento passou pelo Museu de Arte Contemporânea, Teatro da Uff, e em 2006, 2007 e 2008 comemorou aniversário no MAC. E os dez anos?
AGUARDEM...


UM POUCO SOBRE NOSSA HISTÓRIA...

sábado, 2 de fevereiro de 2008

POETAS DO UM BRINDE

Naldo Velho

NALDOVELHO


Tenho a mão pesada ao escrever poemas,

Abro, no papel, profundos sulcos, tipo, leito de um rio,

por onde navegam palavras, pensamentos, histórias,

coisas colhidas nas trilhas desta vida.



Não acaricio as palavras, espremo-as,

até ter delas seu sumo, seus significados.

Uso cores agressivas, por vezes exuberantes,

quando tento passar uma mensagem.



Quando falo de saudade prefiro o cinza,

nostalgia navega em branco e preto

e a revolta em águas barrentas, sempre!

Estou mais para a realidade, a vida me fez assim!



Tenho a mão pesada aos escrever poemas,

machuco o papel, até perceber que ali existe

sangue, suor, saliva, sentimento,

não sei escrever sem expor feridas.



Parir versos é remexer nas entranhas,

é cutucar cicatrizes, fazê-las ardidas,

só assim o poema sobrevive

e eu consigo exorcizar minha dor.




FABIO MALVEIRA



Sangue mistério da força

Fábio Malveira

Não fica nada que não seja luz

Nos campos abertos da união

Corre o vento

Da seis horas

Toca o sino

O galo canta

Colorindo a vida dos homens

O sol é testemunha

Da mais bela e linda canção

Eu com meu pouco troco

E o meu tão bem feito cigarro de paia

Não tenho cartom

Mesmo que também

Não faço muito não

Sou feliz assim

Me alegro da vida com

Feito sangue forte boiadeiro- grande irmão

Onde na campina

Puro ar de belo verde

Está mais meu coração



O sonho de jardim
Fábio Malveira

Os pingos d´água refrescam o jardim

Ao lado do cheiro

Agradável de muitas flores

Há uma forte colméia

Dentro dela

Movem-se também

Toda a energia do perfeito trabalho

Alguém vem caminhando

Com passos agitados

E aproxima-se ao lado de

Cachos abertos de flores

Toca-osCheira-os suavemente

A fisionomia muda

Fica radiante

Uma paz começa a organizar

Sua razão e sentimentos

Serenamente olha o céu

Bem azul

Pois um dourado e rico brilho

De sol agora vem chegando

A pessoa lembra do Criador

Sorri pura como anjo

E ao céu faz com toda fé

Uma ardente prece

Que começa a despertar os passarinhos

Que cantam no jardim

Que não tem medida

Sem fim


RITUAL DO UM BRINDE



UM BRINDE À POESIA (NA PRÁTICA)
25 DE JANEIRO DE 2008

Poetas e convidados brindam as coisas boas da vida em mais uma edição do Um Brinde à Poesia Movimento pela paz e liberdade de ser.
Temos milhões de motivos para fazer um brinde.
Obrigada a presença de todos.
Paz! Graças a Deus! Brilha Luz!



sábado, 26 de janeiro de 2008

HOMENAGEM ELIS REGINA - COMO NOSSOS PAIS




Como Nossos Pais
Elis Regina
Composição: Belchior


Não quero lhe falar

Meu grande amor

Das coisas que aprendi

Nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi

E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar

Eu sei que o amor

É uma coisa boa

Mas também sei

Que qualquer canto

É menor do que a vida

De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem

Há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal

Está fechado prá nós

Que somos jovens...

Para abraçar seu irmão

E beijar sua menina, na rua

É que se fez, o seu braço

O seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta

Pela minha paixão

Digo que estou encantada

Como uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade

Não vou voltar pr'o sertão

Pois vejo vir vindo no vento

Cheiro da nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva

Do meu coração...

Já faz tempo

Eu vi você na rua

Cabelo ao vento

Gente jovem reunida

Na parede da memória

Essa lembrança

É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber

Que apesar de termos

Feito tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemosComo

Os Nossos Pais...

Nossos ídolos

Ainda são os mesmos

E as aparências

Não enganam não

Você diz que depois deles

Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer

Que eu tô por fora

Ou então

Que eu tô inventando...

Mas é você

Que ama o passado

E que não vê

É você

Que ama o passado

E que não vê

Que o novo sempre vem...

Hoje eu sei

Que quem me deu a idéia

De uma nova consciência

E juventude

Tá em casa

Guardado por Deus

Contando vil metal...

Minha dor é perceber

Que apesar de termos

Feito tudo, tudo

Tudo o que fizemos

Nós ainda somos

Os mesmos e vivemos

Ainda somos

Os mesmos e vivemos

Ainda somos

Os mesmos e vivemos

Como Os Nossos Pais...


A maior cantora do Brasil "A coisa mais importante do mundo é a minha casa!”
(1945•1982)


A platéia gritou histérica quando Elis levantou e girou os braços ao redor de si mesma, como se fosse um helicóptero, enquanto cantava “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Era a primeira vez que aparecia para o grande público, no I Festival da TV Excelsior, em 1965, mas a julgar pelo comportamento da platéia, tudo levava a crer que ela fosse uma estrela consagrada. Apesar de ter apenas 20 anos, Elis Regina de Carvalho Costa era uma veterana, pois já cantava havia pelo menos seis anos. A gaúcha de Porto Alegre que começou a cantar nas rádios aos 14 anos, era chamada de Pimentinha por Vinícius de Moraes, e de Hélice, mas preferia o merecido apelido de “A Voz do Brasil”.
Considerada uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, nunca houve uma intérprete com tanto carisma. As interpretações apaixonadas, a enorme popularidade, o temperamento explosivo e a morte prematura, aos 36 anos, por overdose de cocaína e álcool, fizeram de Elis um mito. Sua relação com as drogas foi rápida e fulminante. Assim como sua carreira. Em pouco menos de 20 anos, gravou 31 discos com o melhor que a MPB já produziu. São clássicas na voz de Elis as gravações de “Como Nossos Pais”, de Belchior, “Travessia”, de Milton Nascimento, e “Águas de Março”, de Tom Jobim. A carreira internacional só não vingou porque a estrela não suportava ficar muito tempo longe do Brasil. No Olympia, em Paris, voltou ao palco seis vezes atendendo aos pedidos de bis da platéia. Com os dois maridos, os músicos Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano, teve relacionamentos conturbados. Mas cuidou intensamente dos filhos – João Marcelo, do primeiro casamento, e Pedro e Maria Rita, do segundo – enquanto pôde. Amada e idolatrada, Elis deixou saudade. Sua morte repentina, em janeiro de 1982, chocou o Brasil. “Não tenho tempo para desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas”, disse Elis, poucos meses antes de sua morte.